Agradeça o corpo: meu primeiro aprendizado na Índia

Há aproximadamente um ano atrás (abril/14) eu tive a oportunidade de realizar um grande sonho: viajar para a Índia. Foi uma experiência de grande crescimento e transformação pessoal. Além do passeio místico-cultural também realizei um curso de Psicologia Budista Tibetana, em Dharamsala.

A viagem para a Índia foi longa e cansativa… Logo no avião eu já comecei um grande exercício de paciência: o homem que sentou ao meu lado roncava alto, a viagem toda!!! Eu levei cada susto!!! Outra coisa: Apesar de eu ser vegetariana, não estou acostumada com temperos indianos. A comida servida estava tão apimentada que pouco consegui comer. Mas eu estava tão feliz indo realizar o meu sonho que esses eram meros detalhes do caminho…

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Chegando em Deli, a alegria não cabia em mim, era de madrugada e seguimos direto para o hotel, recepcionados com belos colares floridos e suco de frutas. Teríamos algumas horas para dormir e logo começaríamos o primeiro passeio para conhecer a cidade.
Eu estava muito entusiasmada, achava que nem precisaria dormir, já queria sair e passear por tudo… Contudo, chegando ao quarto do hotel, tomei um banho relaxante e dormi profundamente.

Acordei num sobressalto… A minha colega de quarto avisou que tínhamos meia hora para nos arrumar, tomar café e o ônibus estaria nos esperando em seguida. Acontece que… O mundo estava GIRANDO!! Ah, eu estava completamente tonta, sentindo-me intensamente enjoada. Tudo parecia girar e eu simplesmente não conseguia ficar em pé. Falei que eu não conseguia descer para o café da manhã, que eu ficaria mais um pouco na cama para tentar me sentir melhor.

Procurei respirar fundo… Afundei-me naquele mal estar…
– O que está acontecendo? – pensei – Poxa, vim até aqui, na Índia… E agora não consigo nem levantar da cama?!.
‘Escaneei’ mentalmente todo o meu corpo, buscando alguma energia ao menos para eu me levantar um pouco, mas não consegui. Fiquei parada, imóvel. Aceitei. Então conclui:

– Eu não vou a lugar nenhum sem o meu corpo!
Essa constatação de certa forma me trouxe paz.

A campainha do quarto tocou. Eu precisava atender, mas como? Esforcei-me para levantar, parecia que eu pesava toneladas… Fui me segurando pela parede, vendo tudo girar. Abri a porta e corri para me afundar na cama novamente.
Era a professora/guia da viagem, junto com outra colega do grupo. Quando me viram notei que se assustaram… Não sei qual era a cor da minha pele naquele momento… Devia estar assustadoramente pálida! Ouvi a professora comentar algo sobre acionar o seguro de saúde da viagem. A colega sugeriu aplicarem Reiki… A voz delas estava cada vez mais longe…

Senti um calor trazendo uma boa energia, abri os olhos e vi que elas estavam impondo as mãos sobre mim. Faziam alguma afirmação positiva, motivadora e vibrante. Em poucos minutos comecei a me sentir melhor. O mundo parou de girar (ao menos na minha visão). A náusea foi diminuindo e consegui sentar. Elas haviam trazido o café da manhã, consegui comer um pouco e senti que novamente habitava o meu corpo.

Havia perdido a noção do tempo. O ônibus só estava me esperando. Vesti-me rapidamente e desci com elas. Uau! Meu primeiro dia na Índia já estava sendo intenso. O dia correu bem e fiquei muito feliz que consegui superar aquele mal estar. Fiquei imensamente grata às queridas que me ajudaram. Agradeci profundamente o meu corpo. Agradeci a vida! Vi-me tão frágil e tão forte em minutos. Confiei que este aprendizado devia fazer parte do processo. E de fato, a viagem para a Índia, mais do que uma experiência espiritual, foi uma vivência integral: reconhecer a importância do corpo, da psique e do espírito, como um todo, na harmonia da totalidade no presente.

Nosso corpo é a nossa casa, nosso lar. Precisamos dele para viver neste mundo.  Nosso corpo é o nosso templo sagrado. Cuidar do corpo de dentro para fora, e de fora para dentro. Nutri-lo com respiração profunda, alimentos saudáveis… Hidratá-lo… Amá-lo… Conferir-lhe o devido repouso e descanso. Escutar o corpo, as suas necessidades reais, seus avisos. Decifrar a sua linguagem simbólica. O corpo pode ser um caminho de transformação. Verdadeiro guia dessa viagem da vida. O corpo fala, mas se não o escutarmos: ele grita! Escutar a voz silenciosa do corpo é conectar com a profunda sabedoria interior. É ouvir a intuição materializada nas sensações físicas.

Que possamos lembrar-nos do corpo como uma celebração, e não (somente) no momento da dor reconhecer o seu valor.
Que a gratidão seja diária… de corpo e alma!

Assim sendo, o convite é que possamos agradecer o nosso corpo. Com suas dores, seus temores, suas perfeitas imperfeições… Com sua vitalidade, energia ou fadiga… Agradecer cada parte do corpo, e o corpo como um todo… Preencher de gratidão cada respiração que anima este corpo abençoado de Vida!

Convite Para Refletir: Como você está cuidando do seu corpo? Com o que você está nutrindo o seu corpo? Que alimentos você tem escolhido para nutrir-se? Tem dormido o suficiente? Quantos copos de água você toma por dia? Quais as suas atividades físicas diárias? Tem escutado seu corpo? O que o seu corpo fala sobre você? O que você pode fazer hoje pela sua saúde integral? O que realmente faz bem para o seu corpo?

Mente sã em Corpo são.

Gabriele Ribas, abril 2015
Psicoterapeuta Transpessoal
cadernodagabi@gmail.com

4 comentários

  • Lindo, Gabi! Eu recebi inúmeras mensagens a respeito da importância dessa conexão com o corpo, desse cuidado e gratidão para com ele, mas só compreendi de fato esse recado, quando me vi obesa e limitada para fazer as coisas. Amei o post, me fez refletir com alegria, de que estou com caminho certo. Um beijo.

    • Que ótimo minha querida! Fico feliz em saber que gostou do texto e que está confiante no seu caminho. Beijos!

  • Que texto magnífico! Realmente temos que ouvir a “voz’ do nosso corpo, pois o corpo fala e reflete o que fazemos por ele. Grata pelos ensinamentos. Rosália.

    • Querida, que bom que gostou! Seja sempre bem vinda!!! Grande abraço, Gabi

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