Na onda dos livros de colorir para adultos

Vamos Colorir?

Os livros de colorir para adultos estão fazendo o maior sucesso. Como uma assídua visitante de livrarias, eu não pude deixar de notar a ênfase que se tem dado a este estilo de livro. Também não é raro eu estar passeando pelas estantes de livros e ouvir comentários sobre o Jardim Secreto e a Floresta Encantada. Passeando pelas redes sociais também observei belíssimos desenhos coloridos: mandalas, flores, animais e muitas cores!

Como arteterapeuta, só posso ficar feliz com este movimento que traz mais cor, beleza e criatividade para os nossos dias. As expressões artísticas tornam a vida mais bela e leve: dançar, cantar, pintar… Enfim, expressar-se criativamente! Quando criamos algo, nos transformamos no processo. A arte é um belo caminho de autoconhecimento e autocriação.

Eu lembro que quando eu era criança, adorava livros de colorir… Sinto que esta prática de livros de colorir para adultos pode nos ajudar a conectar com a nossa criança interior, com a sua leveza lúdica, colorida e criativa. Outro benefício que vejo é que os desenhos com pequeninos detalhes exigem uma atenção concentrada, e podem funcionar como um tipo de meditação criativa e como um exercício de atenção plena.

Muitos livros de colorir sugerem ser uma prática anti-estresse, e acredito que podem de fato diminuir a ansiedade e a agitação mental, especialmente, por ser uma atividade manual lúdica e agradável. Atividades manuais criativas, como por exemplo, colorir, desenhar, pintar, bordar, etc., podem trazer bem estar, relaxamento e satisfação pessoal.

Entretanto, como dizia Jung: Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para outra, dessa forma, não existe uma receita para a vida que sirva para todos.

Assim sendo, nem todos vão ter vontade, concentração, destreza ou paciência para colorir desenhos minuciosos, inclusive pode ser uma atividade desgastante para aqueles que não estão em sintonia com esta prática.

Também é importante diferenciar o livro de colorir do processo arteterapêutico, o qual é mediado por um profissional com treinamento tanto em arte como em terapia. O arteterapeuta conhece o potencial curativo e transformador da arte. A Arteterapia é uma terapia expressiva que valoriza a expressão criativa livre e espontânea, sem preocupação com a estética nem com a técnica. Incentiva-se a expressão pura, autêntica e original, que emerge da essência do ser. A partir da arte, o processo terapêutico se desenvolve, se aprofunda, se revela. O arteterapeuta é o mediador do processo criativo, e seu papel é catalisador da transformação.

Sim, colorir imagens pode ser terapêutico, na medida em que a pessoa se sente bem fazendo isso, tanto quanto pode ser terapêutico dançar, cantar, ouvir música, caminhar ou tomar um banho relaxante. Mas é importante ressaltar que a Arteterapia é um processo, não um produto. Colorir é uma entre multi possibilidades expressivas da Arteterapia, que incluem a música, a expressão corporal, a dramatização, a pintura, a colagem, a modelagem em argila, a escrita criativa, entre outras expressões artísticas.

Finalizo com uma sugestão de dinâmica com sete passos como sugestão para potencializar os efeitos positivos da expressão artística em livros de colorir para adultos.

1.     Crie um ambiente acolhedor: Um local arejado, confortável e agradável. Um momento para estar consigo mesmo. Pode escolher uma música relaxante da sua preferência. Quem gosta pode acender um incenso perfumado ou colocar um aromatizador de ambientes.
2.    Escolha a imagem que você deseja colorir: Desenhos grandes podem dar a sensação de expansão, desenhos com muitos detalhes exigem mais minúcia e acuidade visual. Colorir mandalas pode trazer mais centramento; imagens da natureza podem trazer harmonia. Cada sensação depende da pessoa e do seu momento pessoal.
3.    Materiais variados à mão: Lápis coloridos, canetinhas, e o que mais couber na sua imaginação! Quanto mais cores, mais possibilidades de variar.
4.    Auto-observação: Todo processo criativo pode ser permeado pela observação de si: como se sentia antes, como sentiu-se durante e após colorir a imagem escolhida.
5.    Colorindo-se: Dar cor à imagem e à vida, livremente, do seu jeito. Sem preocupar-se se está certo ou errado, bonito ou feio. Sem juízo de valor, apenas pelo bem estar da atividade em si, em conexão consigo mesmo, as cores e o papel.
6.    Observação de si e da imagem: Como se sente no processo? Que imagens mentais emergem? Que pensamentos? Que sentimentos? Perde a noção do tempo? Alguma ansiedade? Planeja antes de pintar ou vai colorindo espontaneamente? Como se sente se borrar a imagem? É perfeccionista? Sente-se cansado? Pinta com força ou suavidade? Quais cores sobressaem?
7.    Reflexões e anotações: Escreva livremente após ter colorido a sua imagem. Deixe as palavras brotarem espontaneamente, sem julgamento ou preocupação. Depois observe seu desenho e sua escrita, veja-se neste processo criativo. Faça as suas reflexões e anotações pessoais.

Gabriele Ribas
Psicoterapeuta e Coach;
Mestra em Saúde e Gestão do Trabalho
Especialista em Arteterapia e Psicologia Transpessoal

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